quinta-feira, 7 de novembro de 2013

As antigas doutrinas da Graça

AS ANTIGAS DOUTRINAS DA GRAÇA

As antigas Doutrinas da Graça são a síntese da doutrina dos reformadores

As antigas doutrinas da graça são a síntese da doutrina dos reformadores, as quais, por sua vez, consistem na redescoberta da pregação apostólica. As confissões de fé das Igrejas Luterana, Reformada, Presbiteriana, Anglicana Congregacional e Batista, professam em suas confissões de fé originais, as antigas doutrinas da Graça.

O termo Calvinismo é usado para identificar as antigas doutrinas da Graça, mas esse termo não é muito apropriado, não porque não corresponda às doutrinas ensinadas por João Calvino o reformador francês, mas porque, na realidade essas doutrinas não são subscritas apenas por Ele. 

As antigas doutrinas da Graça foram ensinadas pelo Senhor Jesus, por seus apóstolos, por Agostinho, por Lutero, por Calvino, por Tyndale, por Latimer, Por João Knox, por Parkins, por Rutherford, por João Bunyan, por Owen, por Mathew Henry, Jonathas Edwards, George Whitefield, por Charles Spurgeon, por Jonh Stott, Jonh Piper, Lloyd-Jones, Augustus Nicodemus, Hernandes Dias Lopes e tantos outros.

As antigas doutrinas da Graça são ortodoxas

Na época dos pais da Igreja, por volta do quarto século da Era Comum, levantou-se um monge chamado Pelágio, que ensinava que não herdamos as tendências pecaminosas de Adão, mas que cada alma faz sua escolha, seja para pecar, seja para viver retamente; ensinava que a vontade humana é livre e responsável por suas decisões. Contra essa idéia, surgiu então o maior teólogo da Igreja, depois do apóstolo Paulo, chamado de Agostinho de Hipona nascido no ano 354 DC no norte da África, convertido aos 33 anos por influência de Mônica sua mãe e dos ensinos de Ambrósio, bispo de Milão e bem assim pelos estudos das epístolas de Paulo, Agostinho defendia que Adão representava toda a raça humana, que no pecado de Adão, todos os homens pecaram e são pecadores, e todo o gênero humano é considerado culpado. Agostinho ensinava ainda que o homem não possa aceitar a salvação unicamente por sua própria escolha, mas somente pela vontade de Deus, o qual é quem escolhe aqueles que devem ser salvos.

 A doutrina Pelagiana foi condenada no concílio de Cartago no ano 418 e a teologia agostiniana tornou-se a regra ortodoxa da Igreja. Somente mais tarde, nos tempos modernos, na Holanda, sob orientação de Armínio, (ano de 1600) e no século XVIII, com Jonh Wesley é que a Igreja afastou-se do sistema doutrinário agostiniano.

A opinião pessoal de Charles Spurgeon, o príncipe dos pregadores é que “não há pregação de Cristo e este crucificado, a menos que se pregue a aquilo que atualmente se chama calvinismo. É cognome chamar isso de Calvinismo; pois calvinismo é o Evangelho e nada mais. Não creio que possamos pregar o evangelho a menos que preguemos a soberania de Deus em sua dispensação da graça; e também a menos que exaltemos o amor eletivo, imutável, eterno, inalterável e conquistador de Jeová; como também não penso que não podemos pregar o evangelho a menos que o alicercemos sobre a redenção especial e particular que Cristo realizou na cruz; e também não posso compreender um evangelho que permite que os santos apostatem depois de haverem sido chamados.”

As antigas Doutrinas da Graça são amplamente resistidas pelos homens ímpios

Charles Spurgeon viveu numa época em que o Calvinismo era bastante resistido, em que muitos eram unânimes em afirmar que a teologia calvinista era desapropriada para as necessidades e espírito dos tempos modernos. Isso porque as antigas doutrinas da graça reduzem o homem a nada e exalta a Deus soberanamente. As antigas doutrinas da Graça salientam a incapacidade humana e o amor redentor de Deus. O calvinismo está interessado em reconhecer plenamente a majestade, a soberania, à independência, à onisciência, a presciência, a onipotência, a onipresença, santidade, fidelidade, justiça, bondade, longanimidade, amor, misericórdia, e os demais atributos de Deus comunicando-lhe toda virtude, honra, glória, louvor e adoração só a Ele devidas.

Jonh Wesley reconheceu a ênfase calvinista quando afirmou com relação a Whitefield, por ocasião do seu funeral: “seu ponto fundamental era dar a Deus toda a glória de tudo o que de bom pode haver no homem. No que diz respeito a salvação, ele colocou Cristo o mais alto possível e o homem o mais baixo”.
a Doutrina Calvinista: TULIP

O calvinismo pode ser condensado no acróstico "TULIP":

• Total Depravação (T) → O homem está morto nos seus delitos e pecados e não pode escolher livremente a Deus, sua natureza e inclinações são ativas, adeptas e reféns ao mal. Só o ato soberano e misericordioso de Deus pode resgatá-lo dessa situação;

• Eleição Incondicional (U) → Dentre toda a raça decadente, Deus livremente e movido por Compaixão escolheu salvar alguns, independente de seus méritos e suas ações. Deus não escolhe aqueles que se arrependem, eles se arrependem porque são escolhidos. São eleitos não por obras, mas por causa do grande amor salvífico de Deus. O calvinista diz “Devo minha fé a Minha Eleição” e não “devo minha eleição a minha fé”.

• Expiação Limitada (L) → Também conhecido como "Expiação Objetiva". O arminianismo crê que Jesus possibilitou a salvação de todos, já o calvinismo assegura que Jesus morreu apenas para assegurar a salvação dos eleitos. A morte de Jesus é suficiente para salvar todos, mas eficaz apenas aos eleitos. No fim das contas, apenas os eleitos serão objetivamente salvos. O calvinista diz “ Cristo obteve para mim minha salvação no Calvário” e não “eu não poderia obter minha salvação sem o calvário”.

• Graça Irresistível (I) → Esse conceito também é conhecido como "Vocação Eficaz". A idéia transmitida nesse conceito é a capacidade que o Espírito Santo tem de convencer a capacidade rebelde do homem a se submeter a Deus e a obedecê-lO, sem isentá-lo de sua responsabilidade.

• Perseverança dos Santos (P) → Também chamado de "Preservação dos Santos". A idéia transmitida  por esse conceito é que aqueles que são chamados por Deus, serão conduzidos inevitavelmente a salvação. Pode ocorrer que eles tropecem e até eventualmente caiam, mas inevitavelmente serão restaurados e conduzidos por Ele à Glória. Sustentam que por ser obra do Deus Tri-Uno, ela é eterna.

ALGUMAS BASES BÍBLICAS PARA O TULIP

• TOTAL DEPRAVAÇÃO → Gn 2:17; Sl 51:5; Rm 3:10-12; 5:12; Ef 2:1,5
• ELEIÇÃO INCONDICIONAL → Ef 1:4,5; 1 Ts 2:13; Rm 8:33
• EXPIAÇÃO LIMITADA → Mt 20:28; Is 53:8-12; At 20:28; Tt 2:14
• GRAÇA IRRESISTÍVEL → Sl 119:36; Pv 21:1; Dn 4:35; Jo 1:12-13
• PERSEVERANÇA DOS SANTOS → Fp 1:6; Jd 24; Jo 10:27-29

Os Calvinistas e as Missões:

Todos aqueles que tem uma noção básica de História da Igreja sabem que os grandes evangelistas, são em sua maioria calvinistas.  Citamos, para exemplo, Calvino, Knox, Whitefield, Jonh Elliot, David Brainerd, Spurgeon; na época do Brasil Colonial, vinte por cento dos pastores calvinistas trabalhavam como evangelistas entre os índios. Os fundadores das Sociedades missionárias que levaram o evangelho à India, à Africa, à Australia, à América do Sul eram todos calvinistas.

O calvinismo pode ser mal interpretado e resultar em HiperCalvinismo ou então em Arminianismo. Mas se corretamente compreendido, ele é fonte de alegria para a mente e fogo para o coração. O que apresentamos aqui foi muito sintetizado, devido ao tempo e ao espaço que dispomos, cremos que se alguém aplicar o Coração a tal estudo entenderá melhor essa sã doutrina, pois o Senhor prometeu:Se alguém decidir fazer a vontade de Deus descobrirá se o meu ensino vem de Deus ou se falo por mim mesmo.” (João 7:17).

Fontes Bibliográficas:

Calvinismo – As antigas doutrinas da Graça – Paulo Anglada
História da Igreja – Jesse L. Burtlman