sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Sola Scriptura: Passando pelo crivo da Palavra de Deus

O apóstolo Paulo diz que toda Escritura tem a função de ensinar, repreender, corrigir e educar os eleitos de Deus. Essa foi a grande redescoberta de Jerônimo Savonarola, dos Valdenses, dos reformadores e precisa ser a nossa redescoberta novamente. Pois o Evangelho pregado hoje está eivado de misticismo. O Evangelho de hoje está adulterado, mercadejado.

Algumas provas cabais que o evangelho pregado atualmente está eivado:

1.      Cada um pensa o que quer

Quando a Escritura diz que na Igreja Primitiva era uma só a mente dos discípulos. Todos tinham a mesma forma de pensar. Quando a Escritura diz: “Todos tenham o mesmo sentimento, tenham um mesmo parecer”.
Isso se deve em parte as Escolas de Interpretação de Alexandria e Antioquia. A escola Alexandrina interpretava as Escrituras alegoricamente, já a Escola Antioquena interpretava histórico-gramaticalmente. 

Cada método de interpretação trouxe um entendimento diferente das mesmas passagens bíblicas, gerando assim conflitos hermenêuticos que perduram atualmente. A situação agravou-se tanto que em 1054 houve a separação definitiva da Igreja em dois ramos: O ramo Ortodoxo Oriental (grega) que prioriza o método alegórico e o ramo Latino (católico romano) que mistura um pouco de ambos, posteriormente, no séc XVI 
surgiu o Protestantismo que em via de regra prioriza o ramo antioqueno – o método histórico gramatical

2.      O excessivo pragmatismo nas Igrejas

A maioria de nós não se interessa pelas questões teológicas, a maioria só quer saber do que é funcional. Gregório de Nissa, um dos pais capadócios da Igreja retrata justamente o oposto; Em sua época, a controvérsia teológica predominante era se o Filho era nascido do Pai ou Co-existente com o Pai, portanto, se existia ou não a Trindade, e Gregório relata que se você fosse ao mercado, o povo diria do Gerado ou não-Gerado, isto é, se o Filho era criado pelo Pai ou então se o Filho era Co-Existente com o Pai. A experiência toda nos mostra apenas que naquela época o povo interessava-se por teologia. O que é justamente o oposto dos dias atuais, nós só queremos o que funciona, independentemente de como aconteça, se viola ou não os princípios de Deus.

3.      Os atuais “Judaizantes”

No pacto com Israel, Deus se revelou através de símbolos, de instrumentos terrenos com aplicação espiritual. Os atuais judaizantes trazem símbolos para a Igreja com a intenção de trazer um mover de Deus sobre a Igreja. Esquecem-se, porém que tudo isso era simplesmente uma figura de Cristo e que nele temos recebido do Pai toda a sua plenitude.

4.      Ênfase exagerada em questões triviais

Para exemplo: O batismo nas Águas.

Os anabatistas versus pedobatistas.
Imersão versus aspersão

Há grupos protestantes que praticam o pedobatismo e há exemplos na história de batismo por Aspersão, o próprio Ambrósio batizou Agostinho dessa forma (por Aspersão).

Para Exemplo: O retorno de Cristo:

Pré-Tribulacionistas versus Pós-Tribulacionistas
Amilenistas versus milenistas

Independente se o Senhor vem antes, durante ou depois da Grande Tribulação o fato é que estaremos com Ele para Sempre. Independente se haverá o reino Milenar ou não, nós seremos sempre seus súditos, noiva e filhos.

O grande segredo é diferenciar entre Dogma, Doutrina e Adiáfora.

Dogma é aquela crença que qualquer cristão genuíno tem como por exemplo: A crença na ressurreição dos mortos, a crença na Trindade, a Crença na Volta de Jesus, a crença de Jesus é igualmente Deus e igualmente homem.

Doutrina é aquela crença que faz pouca ou nenhuma diferença como por exemplo: Se o batismo é por aspersão ou imersão, se é infantil ou adulto.

Adiáfora é a maneira como a Igreja administra esses sacramentos: Se é lícito ouvir ou não música secular, se é presbitério, se é congregacional etc.

O mais importante dentre todos esses é o dogma, o problema atual é que priorizamos muito mais a adiáfora do que ao dogma.

Posto que já apresentamos sinteticamente algumas possíveis razões para tal evangelho eivado como Solucioná-lo?

Voltando para a Palavra de Deus

Em 2 Timóteo 3:16 se diz que toda a Escritura é útil para:

Ensinar – Informar se os costumes e usos das Igrejas são bíblicos ou não.
Repreender – Reprovar nossos erros, apontar nossa deficiência espiritual.
Corrigir – Trazer-nos novamente para o caminho certo do qual saímos.
Educar – Formar em nós o conceito que Deus tem acerca de qualquer coisa.

A única coisa que não volta vazia para Deus é sua Palavra.

Como então, voltar para a Palavra?

1.      Examinando cuidadosamente:

Os fariseus na época de Jesus a examinavam – João 5:39.
Os judeus bereanos na época de Paulo a Examinavam – Atos 17:10-11
Conferindo a Escritura com a Escritura (Analogia da Fé) – 1 Coríntios 2:13

2.      Praticando-a

As Escrituras nos foram dados para mudar nossa vida e não para acúmulo de conhecimento. Tiago 1:21-23
3.      Ensinando-a

Quando estamos ensinando somos obrigados a estudar acuradamente para não ensinar heresia (2 Timóteo 2:2)

O único caminho seguro é a volta para a Bíblia! Um povo que como Lutero tem a consciência cativa somente a Deus e sua Palavra. Vamos retornar não a Jerusalém, mas a Palavra!