segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

POR QUE ME TORNEI REFORMADO?

                                                         Por que me tornei Reformado

Os cinco primeiros séculos da Igreja foram muito conturbados e produtivos, conturbados, porque surgiram muitas heresias; produtivos, porque nesse tempo, Deus levantou grandes apologistas. Nesse ínterim, em meados do ano 400, houve uma disputa sobre a Salvação: sua origem, recebimento, preservação e conclusão.

A disputa girava em torno de dois protagonistas: Pelágio, um herético monge inglês nascido na Grã-Bretanha em 350 dC, que dizia que o Pecado de Adão e Eva afetava unicamente os dois e que devido a isso o homem tinha condições de sozinho aceitar ou rejeitar a Graça de Deus. A Salvação seria resultado da escolha do Livre-Arbítrio Humano. A visão de Pelágio era Sinergista, o homem dá o primeiro passo e Deus coopera com ele.

O segundo protagonista era Aurélio Agostinho, nascido em 354 na cidade de Tagaste no Norte da África, filho de mãe cristã e pai pagão veio a tornar-se bispo na cidade de Hipona. Principal defensor da ortodoxia, ele declarava que a salvação é obra exclusiva de Deus, visto que o pecado de Adão foi creditado a toda a raça humana indistintamente. A alma humana fica passiva no recebimento da Salvação, pois é operada unicamente por Deus. “A salvação é (obra) do SENHOR” [Jonas 2:9]. A posição de Agostinho era Monergista, isto é, a salvação é obra exclusiva de Deus, sem nenhuma participação humana.

A doutrina pelagiana foi condenada no Concílio de Cartago em 416 e a posição de Agostinho passou a ser posição oficial da Igreja desde então. A posição agostiniana tornou-se a posição oficial da Igreja Reformada do séc. XVI. 

Contudo, o pelagianismo sobreviveu dentro da Igreja Romana e em meados de 1600, Jacobus Arminius, teólogo reformado holandês, professor de teologia,  num semi-pelagianismo declarado, questiona novamente  em sala de aula a doutrina agostiniana da Salvação monergística. Com sua morte, cerca de quarenta de seus discípulos, reunindo material que receberam em sala de aula, redigiram uma declaração que ficou conhecida como Representação (Remonstrância); nesse documento, os Remonstrantes como eram conhecidos pediram uma revisão na Soteriologia da Igreja Reformada da Holanda. A Igreja Holandesa respondeu convocando um concilio que durou seis meses entre 1618-1619, conhecido como Sínodo de Dort, no qual a Igreja Holandesa rechaçou o pedido dos Remonstrantes e consolidou a Doutrina Calvinista-Agostiniana da Salvação Monergista.

À medida que o tempo ia passando, os Remonstrantes tornaram-se conhecidos como Arminianos; Jonh Wesley foi influenciado por esse sistema de pensamento, hoje amplamente difundido, boa parte devido a Jonh Wesley, grande homem de Deus, fundador do Metodismo. O sistema de Agostinho, adotado pelos reformadores, ficou conhecido como Calvinismo, devido a João Calvino, um reformador Francês, ardente defensor da salvação Monergista.

  Os Remonstrantes ou Arminianos não questionaram todos os dogmas aceitos pela Igreja Reformada da Holanda, eles questionaram apenas cinco deles, que são: Queda Humana, Eleição Divina, Expiação, Graça, e Perseverança na salvação. Havia três formas de responder a essas perguntas:

Ø Pelagianismo à O homem aceita Cristo porque escolheu  fazer isso, tudo depende do seu livre arbítrio (negação do pecado original)

Ø Arminianismo à Reconhece a total depravação do homem, mas alega que Deus dá uma graça preveniente a todos que lhes restaura o livre arbítrio e a capacidade de se decidir favoravelmente a Deus

Ø Calvinismo (posição Holandesa) à Tudo depende exclusivamente de Deus, o homem fica passivo, contudo não tem sua vontade violada. A Soberania de Deus e a Responsabilidade humana caminham lado a lado.

 A resposta da Igreja Holandesa é o que se convencionou chamar de cinco pontos do Calvinismo, ou então 
TULIP, que é a síntese da doutrina que a Igreja manteve. O que cada sistema prescreve, é como se segue:


O Acróstico TULIP (Iniciais em Inglês) fala-nos de:


Total depravação (T) – O homem está espiritualmente morto nos seus delitos e pecados, totalmente incapaz de fazer o bem, cego para as coisas de Deus, é filho da Ira, é Inimigo de Deus é escravo do pecado é refém do diabo. Por natureza, tudo o que faz é contrário a Lei de Deus, não tem nenhuma inclinação salvífica para ir a Deus.

Eleição Incondicional (U) – Deus desde a eternidade, livre e soberanamente escolheu dentre toda a raça caída, alguns pecadores que lhe aprouve salvar sem consentimento algum por suas obras ou escolhas futuras. E de forma incondicional fez deles ‘seus vasos de misericórdia’.

Expiação Limitada (L) – Cristo morreu por todos aqueles que Deus decidiu salvar na mais remota eternidade, estes que são os Eleitos, compõem seu povo, sua Igreja. De fato, há redenção possível para todos os homens, mas só a redenção eficaz para os quais Deus Pai elegeu e Cristo Jesus redimiu na  Cruz.

Graça Irresistível (I) – Aqueles que o Pai elegeu na eternidade, que Cristo redimiu na cruz, serão no tempo oportuno atraídos pelo Espírito Santo que lhes aplica eficazmente a obra expiatória de Cristo. Eles podem inicialmente apresentar resistência, mas a operação do Espírito supera toda resistência e no fim, os eleitos serão convencidos pelo Espírito pela pregação do Evangelho e sem terem sua vontade violada virão de modo irresistível a Cristo Jesus.

Perseverança (de Deus) nos Santos (P) – Aqueles que o Pai elegeu, o Filho redimiu e o Espírito selou não poderão cair total nem definitivamente do estado de graça, Deus os guardará e os levará a seu reino celestial.

As Igrejas Reformadas expressam suas convicções doutrinárias como se segue:

Sobre a Depravação Total do Ser Humano: (Confissão Escocesa – Cap. 3)



Sobre a Eleição Incondicional de Deus: (Confissão dos Países Baixos – Art. 16, 22, 23)



Sobre a Expiação Limitada: (Segunda Confissão Helvética – Caps. 10,11)




Sobre a Graça Irresistível (Confissão de Fé de Westminster 10:1-2)



Sobre a Perseverança dos Santos (Confissão de Fé Batista de 1689, Cap. 17:1)



Dito isso, analisaremos agora, alguns dos pressupostos bíblicos para cada tópico:

Total Depravação (T):

Gn. 2:17 – Mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá.

Sl. 51:5 – “Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe.”

Rm. 3:10-12 – “Como está escrito: "Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer".”

2Tm. 2:24–26 – “Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente. Deve corrigir com mansidão os que se lhe opõem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento, levando-os ao conhecimento da verdade, para que assim voltem à sobriedade e escapem da armadilha do diabo, que os aprisionou para fazerem a sua vontade.”

Ef. 2:1 – Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados

Jo. 5:40 – “contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida”

Jr. 13:23 – Será que o etíope pode mudar a sua pele? Ou o leopardo as suas pintas? Assim também vocês são incapazes de fazer o bem, vocês que estão acostumados a praticar o mal

Eleição Incondicional (U)

Jo. 15:16 – Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome

Ef. 1:3-4 – Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença.   

2Ts. 2:13 - Mas nós, devemos sempre dar graças a Deus por vocês, irmãos amados pelo Senhor, porque desde o princípio Deus os escolheu para serem salvos mediante a obra santificadora do Espírito e a fé na verdade.

1Jo. 4:10, 19 - Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Nós amamos porque ele nos amou primeiro.

Expiação Limitada

Mt. 1:21 - Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados

At. 20:28 - Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue.

Tt. 2:14 - Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras.”

Graça Irresistível:

Jo. 6:37, 44 – Todo o que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei. Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair e eu o ressuscitarei no último dia.

Tg. 1:16-18 – Meus amados irmãos, não se deixem enganar. Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes. Por sua decisão ele nos gerou pela palavra da verdade, para que sejamos como que os primeiros frutos de tudo o que ele criou

Perseverança dos Santos:

Jo. 10:27-30 – As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão. Meu Pai, que as deu para mim, é maior do que todos; ninguém as pode arrancar da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um.

Fp. 1:6 – “Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus.”

Jd 24 – “Àquele que é poderoso para impedi-los de cair e para apresentá-los diante da sua glória sem mácula e com grande alegria, ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém.”

Visto que todos não conseguem por si mesmos regenerar-se, pois estão mortos nos seus delitos e pecados, suas vontades estão inclinadas tão-somente ao mal, cegos, inimigos de Deus, escravos do pecado, servos do diabo, cabe a Deus regenerar aqueles que ele livremente escolheu desde toda a eternidade. Os quais, serão no tempo oportuno, convencidos pelo Espírito, eficazmente atraídos a Cristo e que por serem eleitos pelo Pai, redimidos pelo Filho e convencidos e selados pelo Espírito não podem decair total, nem finalmente do estado da graça, visto que Deus continuamente gera, nutre e aperfeiçoa neles a fé salvadora. Conclui-se que o melhor e mais coerente pensamento que condiz com a Bíblia é o que se convencionou chamar de calvinismo. O leitor pode sinceramente responder essa pergunta?

Onde começa a salvação, no homem ou em Deus?

 Se ele disser em Deus, o que de fato é, cientifique-se que o tal é Calvinista. Pois, segue-se logo, que se é Deus quem salva, é Deus quem escolhe aqueles que ele quer salvar, foi por esses que Cristo morreu, os quais o Espírito Convenceu e não podem mais se apostatar. (Jonas 2:9; Tito 3:3-7; Rm 8:28-30).
Logo, conclui-se que o sistema de pensamento que mais condiz com a Escritura é o Calvinismo. Essa é a razão pela qual me tornei calvinista.


A Ênfase calvinista é: O verdadeiro Evangelho que é aquele que exalta Deus e humilha o homem. Exalta a Deus o mais alto possível e humilha o homem o mais baixo possível. Evangelho é Evangelho quando se confirma com o que está na Escritura e não com opiniões humanas. A ordem bíblica é "Façam tudo para a Glória de Deus", inclusive pregar o Evangelho para a maior Glória de Deus, nada de Antropocentrismo! Deus é o Centro de Todas as Coisas; só Ele é o Ser Necessário, todos os demais são contingentes. A Glória Somente a Deus!