sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O caráter precede a ação!

Recentemente fiz uma série de exposições sobre o ofício de diácono em minha igreja. O motivo é que a mesma estava passando por um processo de eleição. Decidi que estudaria o tema e procuraria expor as Escrituras, enfatizando o ofício do diaconato, com o propósito de orientar a Igreja e os próprios candidatos.

Entretanto, ao estudar o tema, fiquei surpreso, e acabei tirando uma das lições mais preciosas que poderia ter tirado naquela semana: o caráter precede a ação. Sim! Você primariamente precisa ser antes de fazer.

Olhando para o texto bíblico você encontra pouca ênfase sobre o que os diáconos deveriam fazer, mas sobre suas qualidades e quem eles deveriam ser o Novo Testamento está recheado. Em Atos 6.1-6, por exemplo, temos o famoso caso da instituição dos diáconos. Sem entrar em muitos detalhes do texto, os diáconos surgiram por causa de um pequeno problema de cunho social na Igreja com relação a distribuição diária de alimentos. Os helenistas reclamaram que suas viúvas estavam sendo esquecidas nessa distribuição. Os apóstolos, com sabedoria, decidiram dividir o trabalho, já que eles não poderiam abrir mão do que é primordial: pregação e oração. Daí surge os diáconos. Veja que o texto segue e não dá mais nenhuma ênfase ao que os diáconos deveriam fazer, mas sim ao que eles deveriam ser. O registro diz que eles deveriam ser: “homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (v.3). Quanto a escolha de Estevão, suas qualidades foram enfatizadas.

Seguindo essa ideia, outro texto interessante é o de Timóteo 3.1-13, que não fala apenas dos diáconos, mas também dos presbíteros. Olhando com cuidado para o texto, você vê Paulo falando com frequência sobre o caráter e sobre as qualidades que os presbíteros e os diáconos devem ter. Nos versos 2,3, praticamente tudo que Paulo fala é sobre caráter e pouco sobre as atividades que um presbitério deveria exercer, talvez a exceção seria o “apto para ensinar”, mostrando o dever dos presbíteros para com o ministério de ensino. Sei que alguns podem discordar, mas uma coisa é certa, Paulo enfatiza mais o caráter do que propriamente os deverem dos presbíteros para com seu ofício.

Analisando agora os diáconos a coisa fica mais clara ainda. Nos versos 8-13 você não encontra nada sobre o que os diáconos devem fazer. Paulo não fala que eles deveriam cuidar das viúvas; que deveriam fazer cestas básicas para os mais necessitados; ele não fala nada quanto ao cuidado com as estruturas da igreja; e por aí vai. Porém, Paulo gasta todo o seu discurso sobre os diáconos falando sobre o caráter deles. Veja: “respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância...” (v.8).

A conclusão que cheguei é que as Escrituras enfatizam mais as qualidades e o caráter do que propriamente com o serviço que eles exercem. Que fantástico! O ser recebe mais ênfase do que o fazer. Depois de meditar sobre essa ideia, encontrei respostas para muitas perguntas que tinha sobre o motivo de muitos oficiais não terem dado certo. Eles eram “bons”, competentes e faziam um bom trabalho, mas não tinham as qualidades necessárias.

Você já pensou nisso? Quantas vezes queremos mostrar serviço e poucas vezes queremos ser quem deveríamos. Nos preocupamos bem mais com o que devemos fazer (externo) do que com o que deveríamos ser. Numa eleição de diáconos e presbíteros você consegue perceber isso. Os futuros candidatos já chegam apressados em você querendo saber o que eles devem e podem fazer, e é comum ver poucos se preocupando com o ser. Ser? Ser um bom esposo. Ser honesto e amoroso. Ser crente e um estudioso da Palavra.

E que seja assim daqui para frente. Que procuremos ser, antes mesmo de fazer.