segunda-feira, 10 de março de 2014

A Igreja Imperial: Do edito de Constantino à Queda de Roma (313 - 476 dC)

Flávio Valério Constantino nasceu em 27 de fevereiro possivelmente após o ano 280 dC. Há várias histórias de seus progenitores, alguns estudiosos dizem que ele era filho de Constantino Cloro , com uma princesa britânica filha do rei Coilo chamada Elena; outros alegam que era filho de Constantino cloro com a sua concubina também chamada Elena;Constantino nasceu na Grã-Bretanha. A partir de Constantino o cristianismo deixou de ser uma religião perseguida para tornar-se a religião oficial do Império. Evidentemente, os cristãos que durante tanto tempo estiveram oprimidos, de forma rápida e inesperada, por assim dizer,  passaram da prisão para o trono. A Igreja perseguida passou a ser a Igreja Imperial. A cruz tomou o lugar da águia como símbolo da bandeira da nação. 

No ano 305, quando Diocleciano abdicou do trono, a religião cristã era terminantemente proibida e aqueles que a professassem eram castigados com torturas e morte. Depois da abdicação de Diocleciano, no ano 305, quatro aspirantes à coroa estavam em guerra. Os dois rivais mais poderosos eram Maxêncio e Constantino, cujos exércitos se enfrentaram na ponte Múvia sobre o Tibre, a 16 quilômetros de  Roma no ano 312. Maxêncio representava perseguição aos cristãos. Constantino era favorável aos cristãos, apesar de ainda não se confessar como tal. 

Ele afirmou ter visto no céu uma cruz luminosa com a seguinte inscrição: "Com este sinal vencerás" (Lat. In Hoc Signo Vinces). Maxêncio morreu afogado no rio Tibre e Constantino venceu a batalha, tornando-se imperador no ano de 323 favorecendo assim o Cristianismo.

A vitória do Cristianismo na ascensão de Constantino, trouxe benefícios e prejuízos para a Igreja e o Estado.

Alguns dos benefícios para a Igreja são: Fim da Perseguição, Igrejas restauradas, fim dos sacrifícios pagãos em casas particulares, dedicação de templos pagãos a culto cristãos, doações à Igreja, privilégios concedidos ao clero, proclamação do domingo como dia do descanso, construção de cemitérios cristãos, rápido crescimento numérico da Igreja, os bens saqueados dos cristãos em tempos de perseguição foram devolvidos.

Alguns dos benefícios para o Estado são: Crucificação abolida, repressão do infanticídio, influência no tratamento dos escravos, proibição dos duelos de gladiadores. A cruz deixou de ser uma morte excruciante para os escravos e criminosos, a crucificação fora proibida. Era comum em Roma que qualquer criança que não fosse do agrado do pai,  era asfixiada ou abandonada para morrer. Alguns se dedicavam a recolher crianças abandonadas, criá-las e depois vendê-las como escravas, o cristianismo valorizou a vida humana e fez com que o infanticídio fosse banido do Império.

Porém, apesar de todas essas benesses, a "Cristianização" do Império também trouxe muitos prejuízos tais como: 

  • Todos na Igreja - A porta de entrada para a Igreja deixou de ser a conversão para ser a conveniência, todos queriam estar na Igreja, e quase todos eram aceitos. Tanto bons como maus, os que buscavam a Deus e os hipócritas buscando vantagens. Homens mundanos, ambiciosos, inescrupulosos, todos queriam ingressar na Igreja para obterem influência social e política. As pessoas vinha para a Igreja não por estarem convencidas de seus pecados, mas pelos benefícios dados pelo Estado.
  • Sua rápida paganização - Ao vir para a Igreja, os não-regenerados trouxeram também toda bagagem de paganismo politeísta. Os costumes e cerimônias do paganismo foram pouco a pouco se infiltrando nos cultos de adoração sendo aceitos na Igreja com nomes diferentes; no ano 405 começaram a aparecer na Igreja as imagens dos santos e mártires como objetos de reverência, adoração e culto. A adoração a Virgem Maria substituiu a adoração a Vênus e a Diana.
  • Mundanização - Não se vê mais a Igreja transformando o mundo, vê-se o mundo dominando a Igreja. Alguém já disse: "Fui procurar a Igreja e a encontrei no mundo; fui procurar o mundo e o encontrei na Igreja". Outro alguém já disse: "A Igreja é como a arca de Noé, se não fosse a tempestade lá fora, ninguém suportaria o cheiro aqui dentro".
  • Concubinato entre Igreja e Estado - O Imperador passou a governar tanto a Igreja quanto o Estado. Constantino determinou que se construísse outra capital, visto que para ele, Roma estava intimamente ligada ao paganismo, além disso geograficamente falando, Roma estava suscetível a ataques dos inimigos. A nossa capital ergueu-se na antiga Bizâncio conhecida como Constantinopla - a cidade de Constantino, atual Istambul. Na nova capital não havia templos pagãos, mas não tardou que edificassem várias igrejas, a maior de todas foi a de Santa Sofia - "Sabedoria Sagrada". Essa Igreja foi edificada por ordem do próprio Constantino. A história dessa Igreja é longa, ela já foi destruída por incêndio, reconstruída e hoje é uma mesquita.
Com a "Cristianização" do Império, houve também a divisão do Império em Império Grego (Oriental) e Império Latino (Ocidental) em razão do idioma predominante em cada um deles. A divisão do Império, foi uma "profecia" futura da divisão da Cristandade em 1054.  Nesse ínterim em que o Império e a Igreja caminhavam lado a lado, aproximava-se a queda do Império Ocidental (Latino). Vinte e cinco após a morte de Constantino, no ano 337, os muros do Império do Ocidente foram derrubados pelos bárbaros (todos os outros povos exceto romanos e judeus). A causa da queda do Império foram as seguintes: Cobiça das riquezas do Império por parte dos bárbaros, despreparo das legiões romanas, e a invasão das tribos invasoras (visigodos, vândalos, burgúndios, francos, anglo-saxões, hunos). 

Por causa das invasões e divisões, o vasto Império de outrora, foi reduzido a um pequeno território em torno da capital. No ano 476, uma tribo de germânicos aparentemente pequena, chamada de hérulos, liderada pelo rei Odoacro apoderou-se de Roma, destronando o Imperador Rômulo Augusto ou então "Augústulo". Nesse momento Odoacro intitula-se rei da Itália e o Império Romano do Ocidente deixa de existir. Desde a fundação de Roma, até a queda do Império, passaram-se mil e quinhentos anos. O império do Oriente que tinha como capital Constantinopla perdurou até 1453.

Podemos extrair uma lição da divisão e subsequente queda do Império Romano (primeiro do Ocidente em 476). A lição é: "Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá." (Mateus 12:25)