domingo, 3 de maio de 2015

A 'Marca da Besta'!?

Escatologia - A doutrina das últimas coisas

Bom, novamente trataremos um pouco da doutrina das últimas coisas neste blog, a razão disto é que eu vejo muita perturbação entre as pessoas sob a tal 'marca da besta', o tal chip de que tanto se fala. Por isso, resolvi expor minha opinião, que acredito ser coerentemente bíblica e o farei de modo sucinto. Colocarei de imediato minha opinião e em seguida explanarei o motivo porque acredito ser ela a que melhor se coaduna com a Escritura. Vamos lá:


I. A Marca da Besta, no Apocalipse, não parece ser algo visível;
Ao contrário de algo visível, deveríamos esperar que seja a submissão à um espírito maligno .
Assim como a marca dos selados de Deus (Ap. 7:3; 9:4; 14:1-2) não é visível, mas trata-se do cristãos submeterem-se ao Espírito Santo (2 Co. 1:22; Ef. 1:13; 4:30), assim também, muito provavelmente, a marca da besta se caracterizará por uma operação de obediência ao espírito do anticristo que já está operante no mundo (2 Ts. 2:7; 1 Jo. 4:3) e, principalmente nos filhos da Ira (Ef. 2:2). De fato, Ap 16:13-14 nos mostra que toda atuação da besta é inspirada por espíritos malignos.
II. O alto caráter simbólico de Apocalipse, parece não sustentar uma interpretação literal da tal marca;
O apóstolo João está contrastando a besta com Jesus nos capítulos 13 e 14, para mostrar a superioridade de Jesus.
A besta é tratada como 'cordeiro' (Ap. 13:11) e Jesus é o legítimo Cordeiro (Ap. 14:1; Jo. 1:29). A segunda besta emerge da terra (Ap. 13:11) e Jesus está no monte Sião (Ap. 14:1). A besta tem seus adoradores (Ap.13:12) e Jesus tem os seus (Ap. 14:3).O número da besta é 666 (Ap 13:18) e o número da Igreja é 144.000 (Ap.14:3). Os seguidores da Besta são escravos (Ap. 13:16) e os seguidores de Jesus são redimidos (Ap. 14:3). Os seguidores da besta tem sua marca (Ap. 13:16,17), os seguidores de Jesus tem o nome do Pai e do Filho (Ap 14:1). A besta promove engano (Ap. 13:14), Jesus e seus seguidores promovem a verdade (Ap.14:5).
Evidencia-se que o simbolismo está presente no fato de que:
1. Nem Jesus e nem a besta são literalmente cordeiros. Jesus é homem, mesmo após ressurreição - Lucas 24:39; Filipenses 3:20
2. Os 144.000 mil significam a totalidade da Igreja Invisível. Os 144.000 vieram da genealogia do capítulo 7:5-8, lá, retrata uma genealogia única na Escritura. Em Ap. 7 acontece a única vez que a tribo de Dã é omitida numa genealogia e Efraim é substituído por José. Além do mais, Ap. 7:9 diz que aqueles que alvejaram suas vestiduras no sangue de Cristo são grande multidão de todos os povos, todas as tribos, línguas e nações e não somente judeus.
O número 144.000 (12x12x1000) simboliza a totalidade. Desde os Pais da Igreja, o número mil tem sido interpretado alegoricamente, baseado em Sl. 90:4 e 2Pe. 3:8.
3. A besta emerge do 'mar' (Ap. 13:1);
O próprio apóstolo João interpreta-nos o significado de mar em Ap 17:15 como sendo povos, multidões, nações e línguas. Além disto, em Ap. 11:7 é dito que a mesma besta emerge do abismo. O abismo, no Novo Testamento, é morada de demônios (Lc. 8:31), o fato de ela emergir do mar e do abismo, significa portanto, seu caráter maligno. Assim como no Antigo Testamento, o mar significa caos e habitação dos inimigos de Deus (Gn 1:2; Is. 27:1; 51:9). As águas são símbolo das nações não regeneradas em sua agitação (Is 57:20).
III. O Apocalipse tem um recurso linguístico chamado paralelismo progressivo;
O paralelismo progressivo divide o Apocalipse em sete partes. Cada uma das quais recapitula os eventos do mesmo período ao invés de descrever os eventos de períodos sucessivos. Cada uma delas trata da mesma era – o período entre a primeira e a segunda vinda de Cristo – retomando temas anteriores, elaborando-os e desenvolvendo-os ainda mais.
Embora essas seções sejam paralelas entre si, revelam também certo grau de progressão escatológica. A última seção, por exemplo, leva-nos mais além para o futuro que as outras.

A primeira das seções está nos capítulos 1 a 3
A segunda destas seções se encontra nos capítulos 4 a 7
A terceira seção, nos capítulos 8 a 11
A quarta seção, capítulos 12 a 14
A quinta seção encontra-se nos capítulos 15 e 16
A sexta seção, capítulos 17 a 19
A sétima seção, Capítulos 20-22

Apesar do juízo final já ter sido anunciado em 1:7 e brevemente descrito em 6:12-17, não é apresentado detalhadamente senão quando chegamos a 20:11-15. Apesar do gozo final dos redimidos já ter sido insinuado em 7:15-17, não encontramos uma descrição detalhada e elaborada da benção da vida na nova terra senão quando chegamos ao capítulo 21.
• Cada seção descreve todo o período que compreende da primeira à segunda vinda. Cada sessão descreve uma cena do fim.
• A cena do fim vai ficando cada vez mais clara e até chegar ao relato apoteótico da última sessão.
• Essas sete seções estão divididas em dois grandes períodos (1 -11) e (12-22). A primeira descreve a perseguição do mundo e ímpios e a segunda a perseguição do dragão e seus agentes.
Os capítulos 12-14, fazem parte da quarta seção e retratam toda história desde o nascimento até o retorno de Jesus. O nascimento é visto em 12:5 e o julgamento final é visto em 14:8, 14-20.
Concluindo, não há razão para interpretarmos que qualquer chip seja a marca da besta, ele está mais tendencioso a ser uma obediência espiritual.