domingo, 8 de dezembro de 2013

O Cânon do Antigo Testamento

O Cânon do Antigo Testamento

Divisão Tríplice:

1.      Lei, Profetas e Escritos – Lucas 24:44

Elias, levita, escrevendo em 1588, fala da crença que o povo tinha, dizendo: “No tempo de Esdras os 24 livros ainda não estavam unidos em um volume. Esdras e seus associados fizeram deles um volume dividido em três partes, a lei, os profetas e a hagiógrafa.” Esta tradição contém verdades. Se pode ser aceita em todos os seus particulares, isso depende de determinar a data em que certo, livros foram escritos, tais como Neemias e Crônicas.

Há três traduções universalmente reconhecidas do Cânon do Antigo Testamento e cada qual segue um arranjo e coleção de livros diferentes.

O Texto Grego (LXX)
A Vulgata (Latina)
O Texto Massorético (TM)

O texto Grego segue um arranjo temático e tem catorze livros e adições que não constam no TM, que posteriormente foram reconhecidos como Apócrifos.

Divide o texto em quatro pilares: 1) Lei; 2) História; 3) Poesia 4) Proféticos.

 A Vulgata segue o mesmo arranjo que o texto Grego; A Bíblia protestante segue o arranjo da Vulgata e o conteúdo do TM.

O texto Massorético também conhecido com Tanakh que são as iniciais das divisões:

T (Torah) – Lei – Gênesis a Deuteronômio
N (Nebihim) – Profetas – Josué a Malaquias
K (Ketubim) – Escritos – Jó a 2 Crônicas

Suas respectivas Divisões:

O Cânone Hebraico sempre permaneceu o mesmo, ora sendo dividido em 22 livros (agrupando os livros de Samuel, Reis e Crônicas, agrupando o livro de Juízes e Rute, agrupando os livros de Jeremias e Lamentações), ora em 24 livros (mantendo unidos os livros de Samuel, Reis e Crônicas, mas separando Juízes de Rute e separando Lamentações do Livro de Jeremias), ora sendo dividido em 39 livros (formação protestante).

As listas “Canônicas”:

1.      Bispo Melito de Sardes (c. 170 dC) – Omite-se Ester por motivos desconhecidos e todos os apócrifos.

2.      Orígenes (c. 200 dC) – uma lista de 22 livros iguais ao TM, com adição da Epístola de Jeremias.

3.      Tertuliano (c. 160 a 250 dC) uma lista de 24 livros

4.      Hilário de Poitiers (c. 305-366 dC) uma lista de 22 livros

5.      Atanásio – “Há, pois, no Antigo Testamento vinte e dois livros” (39ª Carta, parágrafo 4)

Testemunhas da veracidade desse Cânone:

Já na época de Josefo (c. 100 dC) já havia um cânone do Antigo Testamento como o conhecemos hoje. O livro de Eclesiástico (c. 190 aC) já demonstrava em seu prólogo uma lista autorizada como conhecemos hoje. Josefo diz que desde Xerxes (época de Malaquias) já não se tinham mais escrito nenhum livro inspirado.

Os livros contestados (Antilegômena)

Cânticos, Ester, Eclesiastes, Provérbios e Ezequiel. A escola de Shammai recusava a autenticidade e a escola de Hillel a sustentava. Essa discussão encerrou-se no concílio de Jâmnia em 90 dC.

Cânticos por sua linguagem altamente sensual – resolveu-se interpretando alegoricamente.

Ester por não constar o nome de Deus – resolveu-se observando a providência de Deus em todo o livro.

Ezequiel por diferenças mínimas do templo nele narrado com o templo de Salomão e o templo de Herodes – resolveu-se dizendo que o templo nele narrado aponta para o Reinado Messiânico.
Os Apócrifos e Sua Rejeição:
Muitos argumentam sua canonicidade apelando para versões antigas, porém, a única versão antiga que os adota é a LXX, mesmo assim com discordâncias.
Muitos argumentam sua canonicidade apelando para o “Cânone Alexandrino”, ignorando que nem mesmo Filo de Alexandria cita esse “Cânone Alexandrino”, ao contrário, cita o “Cânone Palestiniano”, ou seja, o TM. Já no segundo século, os alexandrinos adotaram a versão de Áquila em detrimento da LXX, versão de Áquila não tinha os apócrifos.
Muitos argumentam sua canonicidade apelando para as recentes descobertas das cavernas de Cunrã, esquecendo-se, porém que o simples fato de citá-los não comprovam a canonicidade. O apóstolo Paulo cita Arato em Atos 15:28 e cita Menander em 1 Coríntios 15:33 e cita Epimênides em Tito 1:12  como Judas também cita Enoque em Judas 14, isso de modo nenhum comprova autenticidade divina desses escritos.
Outros comprovam sua canonicidade apelando para citações dos pais apostólicos. Todavia, sabe-se que Agostinho ao enfrentar um antagonista que apelou para 2 Macabeus para encerrar um argumento, Agostinho respondeu: “Sua causa é deveras fraca demais,  se recorreres a um livro que não era da mesma categoria (de inspiração) daqueles que eram recebidos e aceitos pelos Judeus”. Sabe-se ainda que Atanásio, rechaçou completamente os apócrifos na sua 39ª carta conforme já demonstrado.
Um argumento contrário é que nunca houve unanimidade desses apócrifos. Começaram com catorze livros ou adições e em 1672 a Igreja Grega os reduziu a apenas quatro: Sabedoria, Eclesiástico, Judite e Tobias.
Princípios de Canonicidade
Há vários princípios rejeitados, mas há um princípio universalmente aceito: O Testemunho que Deus dá da autoridade e autenticidade da sua Palavra. Antes mesmo de haver um testemunho escrito da Lei, havia o testemunho oral. O Cânone foi se formando lentamente e sua canonicidade era implícita.
“Os livros do Antigo Testamento foram divinamente revelados, seus autores humanos eram homens santos guiados pelo Espírito Santo (2 Pedro 1:20-21). Na sua boa providência, Deus fez que seu povo reconhecesse e recebesse sua Palavra. Como é que se implantou nos seus corações, no que diz respeito à identidade de sua Palavra, é algo que talvez nunca saibamos compreender ou explicar totalmente. Podemos, não obstante, seguir nosso Senhor, que deu o imprimatur da sua infalível autoridade aos Livros do Antigo Testamento”[1]
O uso intrínseco dos judeus por parte desses livros foi o que acabou gerando o reconhecimento universal de sua canonicidade e rejeitando os demais livros, pois, nem todos os demais livros eram usados universalmente.
O princípio profético foi uma evidência imediata de sua canonicidade, demonstrado no “assim diz o SENHOR” tanto atestado na Bíblia.
A reunião de tais livros no Canon Hebraico deve-se a Esdras e a Grande Sinagoga, dos quais os Escribas copiavam para as uso nas suas sinagogas. Havia uma tradição corrente, que o cânon fora arranjado no tempo de Esdras e de Neemias. Josefo, já citado, fala da crença universal de seus patrícios de que nenhum livro havia sido acrescentado desde o tempo de Artaxerxes, isto é, desde Esdras e Neemias. Elias, levita, escrevendo em 1588, fala da crença que o povo tinha, dizendo: “No tempo de Esdras os 24 livros ainda não estavam unidos em um volume. Esdras e seus associados fizeram deles um volume dividido em três partes, a lei, os profetas e a hagiógrafa.” Esta tradição contém verdades. Se pode ser aceita em todos os seus particulares, isso depende de determinar a data em que certo, livros foram escritos, tais como Neemias e Crônicas.
Os judeus aceitavam a canonicidade de tais escritos como atesta Josefo:
Faz parte da natureza de cada judeu, desde o dia em que nasce, considerar estas Escrituras como ensinos de Deus; confiar nelas, e, se for necessário, dar alegremente a vida, em sua defesa 
Conclusão e Resumo:

1.      O Cânone do AT formou-se gradativamente desde Moisés até Malaquias e Esdras e foram reunidos por Esdras em um volume;

2.      O principal critério para canonicidade é o uso intrínseco das Escrituras pelos Judeus e o cumprimento das Profecias ou exatidão histórica.

3.      Os apócrifos foram rejeitados desde cedo e não há consenso comum entre eles;

4.      A lista de livros inspirados aceitos universalmente é idêntica a que possuímos hoje no nosso AT.




[1] E. J. Young, “O Cânon do Antigo Testamento, Revelation and the Bible”, p. 168