domingo, 13 de abril de 2014

A Igreja Moderna: Os despertamentos da Reforma Protestante

A Igreja Moderna: Os despertamentos da Reforma Protestante

Seguindo-se a Reforma Protestante, temos a Contra-Reforma, que teve como principal eixo de oposição ao protestantismo a ‘Companhia de Jesus’ fundada por Inácio de Loyola e que anos mais tarde seria a base para a Inquisição. A Contra-Reforma contou ainda com o Concílio de Trento, onde estavam presentes 48 bispos católicos para definir dentre outras coisas, os livros conhecidos pelos amados católicos como ‘deuterocanônicos’ e pelos protestantes como ‘apócrifos’. Há de se dizer que o ambiente do concílio foi bastante controvertido, pois em um dado momento 40 dentre os 48 bispos presentes se agarraram em pancadaria. Esse concílio durou 18 anos. Depois do Concílio, da Inquisição, a Igreja Romana lançou mão do Índex, isto é, um conjunto de livros proibidos pela Igreja Romana, essa proibição não se limitava apenas aos escritos protestantes, mas até mesmo aos escritos científicos que discordavam da posição oficial de Roma. Mas a perseguição não cessa por aqui, acontecem várias barbáries contra os protestantes como, por exemplo: O massacre dos huguenotes na França, a noite de massacre de São Bartolomeu, a proibição do Protestantismo na França, dentre outras coisas. Parecia que tudo estava perdido; mas Deus sempre tem um remanescente fiel em meio a tantas perseguições e esse remanescente fiel é o que deu origem aos despertamentos após a reforma que veremos agora:

I.             O MOVIMENTO PURITANO

Pouco depois da Reforma, apareceram três grupos diferentes na igreja inglesa: os romanistas – que procuravam fazer amizade e nova união com Roma; o anglicanismo – que estava satisfeito com as reformas moderadas estabelecidas nos reinados de Henrique VIII e Elizabeth; o grupo radical – que desejava uma igreja igual às que se estabeleceram em Genebra (muitos consideravam Genebra, ‘a mais perfeita escola de Cristo, desde os tempos dos apóstolos’) e Escócia. 

Esse último grupo ‘radical’ ficou conhecido como os puritanos. Como o nome sugere, eles queriam uma igreja pura, livre das contaminações da Igreja Romana e Anglicana O que eles queriam era a pureza eclesiástica Na sua doutrina, na sua liturgia, no seu governo e na sua vida. 

Os puritanos eram os calvinistas da Inglaterra e posteriormente das colônias da América do Norte, nos séculos XVI e XVII.

A forma de governo eclesiástico entre eles não era unânime, alguns queriam que o governo fosse como o da igreja da Escócia, isto é, presbiteriano, outros, queriam que o governo fosse congregacional, isto é, que cada grupo local fosse independente e uns poucos eram defensores do governo episcopal (a liderança dos bispos) apesar dessa controvérsia todos eles permaneceram como membros da igreja inglesa.

Os puritanos eram fortes defensores dos direitos populares; Foram eles que preparam a Confissão, o Catecismo Maior, O Breve Catecismo de Westminster.

Após 1688 foram reconhecidos como dissidentes da Igreja Inglesa e conseguiram o direito 
de organizarem-se independentemente. 

Pelos puritanos surgiram três igrejas: A Presbiteriana, A Congregacional e A Batista. 

As suas principais características são: Soberania de Deus, Centralidade da Bíblia, Ênfase no Arrependimento, na Conversão e Santificação, Vida Teocêntrica, Expectativa no Futuro sem deixar de agir no presente, Família para a Glória de Deus, Sermão Tocante e Vida Cristã equilibrada.

O puritanismo teve vários expoentes célebres, dentre eles, João Bunyan, Jonathan Edwards, Richard Baxter, John Owen.

II.           O PIETISMO

O pietismo surgiu como uma reação a formalidade fria e morta que a Igreja da Alemanha enfrentava no século XVII. Os ministros luteranos estavam mais ocupados em questões filosófico-teológicas que com o acompanhamento de suas ovelhas. Contra isso, levantou-se Phillipp Jakob Spener, o “pai do pietismo e o conselheiro espiritual da Alemanha”, com um grupo que semanalmente se reunia para orar e estudar a Bíblia. O grande ideal do pietismo era conduzir o povo alemão a uma vida piedosa. O grande erro teológico do pietismo foi partir da formalidade fria para um experiencialismo sem teologia. Desprezaram a doutrina para apegarem-se a experiências. 

Os pietistas e os quacres, esses dois movimentos desaguaram no experiencialismo da teologia liberal de Schleiermacher foram as bases para os misticismos evangélicos pós pentecostais iniciados em 1906 nos Estados Unidos[1]. Contudo, a bem da verdade, precisamos ressaltar que o pietismo influenciou os Morávios, e eles influenciaram John Wesley que juntamente com George Whitefield iniciou um grande despertamento espiritual na Inglaterra.

III.         O MOVIMENTO MISSIONÁRIO MODERNO

Durante um período de mil anos, a partir dos dias apostólicos, o cristianismo foi uma instituição ativa na obra missionária. Nos primeiros quatro séculos, a Igreja converteu o império romano ao cristianismo. Depois, seus missionários encontraram-se com as hordas dos bárbaros que avançavam e os conquistaram antes que os bárbaros conquistassem o Império Romano do Ocidente. Após o século X, todos os envolvidos com a Igreja estavam mais preocupados pela luta do domínio supremo do que com missões de modo que o espírito missionário arrefeceu, embora não tenha desaparecido inteiramente. O primeiro movimento missionário após a reforma foi feito pelos católicos sob a liderança de Francisco Xavier, pois a Igreja Protestante, inicialmente, estava mais interessada em purificar e reorganizar a igreja primeiro, antes de trazer novos convertidos.

O movimento missionário protestante começou com os Morávios que em 1732 enviaram Hans Egede à Groenlândia e logo depois a mesma igreja esteve trabalhando entre os índios da América do Norte, entre os Negros das Antilhas e nos países orientais. Proporcionalmente ao pequeno número de membros em seu país, nenhuma outra denominação sustentou tantas missões como a igreja dos Morávios em toda sua história.
O fundador das missões modernas da Inglaterra foi William Carey, um sapateiro, autodidata. Em 1789 tornou-se ministro da Igreja Batista. É atribuída a ele a frase: “Faça grandes coisas para Deus e espere grandes coisas de Deus”.

As missões norte-americanas tiveram sua origem na famosa reunião de oração que ocorreu em Massachusetts em 1811 quando um grupo de estudantes se reuniu para orar e consagraram suas vidas à obra de Cristo no mundo pagão. Como resultado dessa união, fundou-se a Junta Americana de Comissionados para Missões Estrangeiras. Anos depois, cada denominação tinha sua própria Junta e seus próprios Missionários.

IV.         O MOVIMENTO PENTECOSTAL[2]

O movimento pentecostal tem raízes nitidamente arminianas. Os estudiosos encontram raízes teológicas do pentecostalismo na tradição Metodista. Wesley pregava a “Inteira Santificação” também conhecida como “Perfeição Cristã” algo distinto da Conversão e seu sucessor designado, John Fletcher passou a descrever essa experiência em termos de “batismo no Espírito Santo” associado ao pentecostes do Novo Testamento.  Desse ensinamento de “perfeição Cristã-Batismo no Espírito Santo, surgiu as Igrejas que davam maior ênfase a Santidade, (Church Holiness) e que posteriormente viriam ser as igrejas pentecostais. O Falar em Línguas associado ao batismo no Espírito Santo marca distintiva do movimento pentecostal veio à Luz com  Charles Parham no seu Instituto Bíblico no Kansas em 31 de dezembro de 1900 quando uma aluna ao ser enviada às missões pediu que Parham pusesse sobre elas as mãos para que recebesse o Espírito Santo e então ela falou em Línguas (Glossolalia). O que deu dimensão internacional a esse movimento pentecostal foi o “Avivamento da Rua azuza” em 1906 com William Seymour, um pastor negro que pregava os ideais pentecostais. Seymour fora aluno de Parham no Instituto Bíblico. Eles asseveram ser a ‘última chuva do derramar do Espírito’ antes do retorno de Jesus para buscar sua igreja, ligando assim, suas origens ao pentecostes bíblicos, criando assim, também laços com a escatologia dispensacionalista.

 A essa altura, já estava sendo estabelecido no Brasil as primeiras Igrejas Protestantes. Igrejas Históricas (berço Calvinista) e Igrejas Pentecostais (Berço Arminiano). A Igreja no Brasil será nossa conclusão e próximo estudo. A Igreja no Brasil foi filha do grande movimento missionário que tantos os Morávios como os Pentecostais tinham em comum. Podemos dizer então, que a Igreja Brasileira, tem estreita ligação com as Missões.



[1]Panorama da História Cristã – A Intervenção Divina na História, p. 74
[2] Extraído e adaptado do Livro “Fundamentos da Teologia Histórica” – Ed. Mundo Cristão. Alderi S. de Matos