sábado, 20 de agosto de 2016

Seja um crente racional!

Crer é também pensar
John Stott
“Dominum autem Christum sanctificate in cordibus vestris  parati semper ad satisfactionem omni poscenti vos rationem de  ea quae in vobis est spe”. (1Pe. 3:15, Vulgata)

O apóstolo Pedro está dizendo, dentre outras coisas: “Estejam preparados para dar aos outros a razão da esperança que há em vocês”.  A palavra-chave para nós aqui é razão. Escolhi a Vulgata propositadamente para destacar o termo latino  "rationem". 

O distanciamento da razão na teologia hodierna

Quase não ouvimos falar sobre a razão na teologia cristã atualmente, contudo, isso não se deve ao fato de que os teólogos antigos não falaram sobre ela, mas deve-se, sobretudo, ao fato de que a teologia hodierna tem se distanciado da tradição antiga. Sem retroceder muito, temos o testemunho controverso (é verdade) de Martinho Lutero, todavia, antes de falarmos sobre o papel da razão para Lutero, voltemos os olhos para alguns termos bíblicos acerca da razão.

Alguns termos bíblicos para a razão no grego

Há uma variedade de termos gregos que são traduzidos para a língua-mãe como razão, racional, e na Almeida por espiritual. Aqui citaremos apenas três.

1-) λογικός  “Logicós”  racional) – Romanos 12:1; 1Pedro  2:2.
2-) λόγος (“Lógos” razoável, lógico) –  Atos 18:14.
3-) ἄφρων  (“Aphron“ sem razão, tolo, insensato) – Romanos 2:20; 1Pedro 2:15.

O testemunho de Lutero sobre a razão EM COISAS TERRENAS

“Nas questões temporais e nas coisas que dizem respeito às pessoas, o ser-humano é racional o suficiente; aí ele não necessita de nenhuma outra luz senão apenas a razão. É por esse motivo que, na Escritura, Deus também não ensina como construir casas, casar, guerrear e coisas semelhantes, pois para tanto basta a luz natural.” (Edição Completa das Obras de Lutero, 42/22).

“Nem mesmo após a queda de Adão, Deus tirou da razão a sua nobreza, pelo contrário, ela a confirmou”. (Edição completa das Obras de Lutero, livro 39, p. 175).

O testemunho de Lutero é controverso, pois ele distingue entre razão magisterial e razão espiritual (aquela iluminada pelo Espírito Santo e é dessa razão quando diante de Carlos V, ele disse: “A menos que convencido pela razão pura”...).  

A razão magisterial ou secular é impotente diante de Deus. E nesse sentido, ele chega a falar dela como “prostituta do Diabo”. Mas somente quando sem ser assistida e vivificada pelo Espírito de Deus ela quer intrometer-se em questões eternas, deixando seu campo, que é o natural. Jonh Stott dizia que crer é também pensar. Jesus Cristo veio salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, isso inclui, certamente a  capacidade racional do homem. O presente escrito quer incentivar a usar a razão para maior glória de Deus!