A oração é o próprio ato



Já ouvi pessoas dizendo que orar é clamar e depois agir em cima do que foi dito. Entendo a definição; é legítima até certo ponto. Quando me coloquei a analisa-la discordei dela. Entendia que orar já é em si um ato e o ato mais sublime que se pode ter. Recentemente encontrei a mesma postura em Karl Barth, cristão suíço do séc. XX. Ele ensina que orar é o próprio trabalho do cristão. Recuando um pouco mais no tempo temos a mesma definição em Martinho Lutero, cristão no século XVI. Ele dizia que devemos orar da mesma maneira que um sapateiro faz sapatos e um alfaiate faz roupas. Para Lutero orar é suar a alma.

Olhando desta perspectiva pode parecer que a oração tem de ser trabalhosa, afinal de contas um dos grandes escritores sobre oração disse que orar é lutar com Deus; até certo ponto isso é verdadeiro. Mas oração é mais relacionamento que confronto. Fico com a definição de Clemente de Alexandria, um cristão ainda do primeiro século que disse que orar é permanecer na presença de Deus. Eu acrescento: Permanecer na presença de Deus pela presença de Deus.

Entrelaçar as mãos em oração é um ato revolucionário, dizia Barth. Thielicke que é outro cristão do século passado dizia que o mundo é sustentado pelas mãos erguidas de Atlas (valendo-se da figura da mitologia). O mundo só existe ainda porque há gente orando.  Gente que acredita que a oração feita por um justo é poderosa e eficaz conforme ensina a Bíblia. George Müller, missionário em Londres no século XVIII, fundou alguns orfanatos a partir do zero. Ele disse que empreendeu tal façanha para que as pessoas soubessem que Deus responde orações.

Qual é a nossa postura em relação à oração?  Inácio de Loyola e Martinho Lutero tem muito a nos ensinar a respeito. Lutero disse: “É preciso orar como se todo trabalho fosse em vão e trabalhar como se todo orar fosse vão”. E Loyola: “Devo orar como se tudo dependesse de Deus, trabalhar como se tudo dependesse de mim”. Orar como se todo trabalho fosse em vão em virtude de que a oração é já o próprio trabalho. Orar como se tudo dependesse de Deus em virtude de que Deus é soberano sobre todas as coisas. Trabalhar como se toda oração fosse vã, pois tudo o que o homem plantar isso mesmo colherá. Trabalhar como se tudo dependesse de mim, pois tudo o que chegar as nossas mãos para fazer devemos faze-lo com toda a nossa força (Eclesiastes 9:10). Que Deus nos ajude a orar. A aprender a orar e a viver a vida da oração.

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