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Litania anônima sobre humildade

Ó Jesus, manso e humilde de coração, ouve-me! Livra-me, ó Jesus, Do desejo de ser estimado, Do desejo de ser amado, Do desejo de ser exaltado, Do desejo de ser honrado, Do desejo de ser louvado, Do desejo de ser preferido a outros, Do desejo de ser consultado, Do desejo de ser aprovado, Do medo de ser humilhado, Do medo de ser desprezado, Do medo de ser repreendido, Do medo de ser esquecido, Do medo de ser ridicularizado, Do medo de ser prejudicado, Do medo de ser alvo de suspeitas, E, Jesus, concede-me a graça de desejar Que outros possam ser mais amados que eu, Que outros possam ser mais estimados que eu, Que na opinião do mundo, outros possam crescer e eu diminuir, Que outros possam ser escolhidos e eu posto de parte, Que outros possam ser louvados e eu passe despercebido, Que outros possam ser preferidos a mim, em tudo, Que outros possam tornar-se mais santos que eu, contanto que eu me torne tão santo quanto devo ser!

SEXTA-FEIRA SANTA: CRUCIFICADOS ÀS NOVE HORAS

Em outra postagem já abordamos algo sobre a Sexta-Feira Santa ou Sexta-Feira da Paixão ( Aqui ). Hoje escrevo alguma coisa sobre a realidade prática que aquela Sexta-Feira - que é relembrada todos os anos - tem em nosso dia-a-dia.  Quando Jesus foi crucificado, todos os cristãos foram crucificados juntamente com ele. Em Gálatas Paulo deixa isso nítido. Em 2:19b,  ele diz: " Estou crucificado com Cristo". Em 5:24, ele diz:  "E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e desejos". Em 6:14, ele diz: " Mas longe de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo".  Quando Jesus percorreu a Via Sacra, todos os cristãos percorreram juntamente. O autor de Hebreus assinala (13:12-13): "Por isso, também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da cidade. Saiamos, pois, a ele, fora do acampamento, levando a mesma desonra que e...

Série "Lei e Evangelho": Introdução

A CORRETA DISTINÇÃO ENTRE LEI E EVANGELHO (I) O EVANGELHO NO ANTIGO TESTAMENTO Teologicamente falando, a distinção entre Lei e Evangelho é particularidade da tradição luterana e Lutero falou muito sobre ela. Uma das coisas que ele enfatizou é que o evangelho não é coisa exclusiva do Novo Testamento. O evangelho pode e está presente em passagens do Antigo Testamento. Algumas passagens do Antigo Testamento que são evangélicas podem ser vistas em Gênesis 3:15; Isaias 9:6; 35:5-6; 53:1-12; Salmo 16:10; etc. Além das prefigurações e tipos nos patriarcas [1] , no cordeiro da páscoa de Êxodo [2] , nos milagres da peregrinação no deserto (água que brota da rocha, a serpente de bronze) [3] e nos profetas [4] . O evangelista Lucas informa que João Batista pregava o Evangelho (3:18):   E assim, com muitas outras exortações, João anunciava o evangelho ao povo (NAA) [5] . É consensual na Bíblia que João foi um profeta que pertenceu à era do Antigo Testamento; Jesus m...

PÁSCOA: CATECUMENATO, QUARESMA E BATISMO

Catecumenato é um termo que significa o processo de aprendizagem destinado ao batismo. Ele durava cerca de 2 a 3 anos na igreja antiga. O termo catequese (ensino) está presente no grego bíblico em Gálatas 6:6; Lucas 1:4 Atos 18:25, etc. Foi o catecumenato que deu origem à quaresma e, ambos, estão intimamente relacionados com a páscoa como veremos. Em primeiro lugar é preciso saber que o batismo, nos primeiros séculos de igreja (séc. II e III dC), era aplicado apenas pelo bispo e majoritariamente na Páscoa. Para os primeiros crentes, o batismo era o novo nascimento. Nada melhor que a Páscoa, a data da nova vida para indicar isso pelo rito. Justino Mártir, por exemplo, em sua Primeira Apologia declarava que o batismo conferia regeneração. A igreja escolheu o rito pascal por alguns fatores bíblicos. Desde o início, a Páscoa marcava a libertação da escravidão (Êxodo 12); um retorno à Escritura (2Crônicas 30). No ritual batismal antigo, renunciava-se Satanás e suas obras. Confessava-se...

O fator justificante que não justifica

“Não somos justificados por nós mesmos. Nem por nossa própria sabedoria, conhecimento, espiritualidade ou obras feitas de todo coração. Mas somente pela fé através da qual o Deus Todo-poderoso justificou todos os homens desde o princípio.” – Clemente de Roma (1Coríntios 32) Quando li isto senti uma pancada no íntimo. Sempre fui sedento pelo conhecimento teológico. Houve época, aliás, que na igreja me destacava no quesito conhecimento bíblico-teológico. Me tornei um pregador itinerante ainda juvenil. Viajei cidades expondo Bíblia e falando de teologia, "a rainha das ciências", como era conhecida na Idade Média. Preparei sermões para serem usados nos cultos dos lares e, até hoje lembro da sensação de pensar: "A igreja está comentando algo que eu escrevi, cara!". Montei apostilas de diaconato para a igreja. Fui um dos líderes do culto de ensino da igreja. Sim, amigos (as), isso parece o relato de São Paulo aos filipenses, quando ele diz: "Hebreu de hebreus,...
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APOSTASIA: CAUSA, ESSÊNCIA E ANTÍDOTO – 1Tm. 4:1-16 Desde sempre a Igreja experimentou o perigo da apostasia. No Antigo Testamento, dentre 12 emissários havia 10 incrédulos. Dentre a liderança religiosa de Israel havia apóstatas como Datã, Coré e Abirão. Pedro disse em sua última carta que, da mesma forma, haveria falsos mestres na Igreja.   Com o surgimento do Cristo chegaram falsos Cristos. Com o surgimento do Mestre surgiram falsos mestres. Com a chegada do bom Pastor chegaram falsos pastores; e com eles veio também a apostasia. A apostasia não é coisa recente; ele se fará presente em todo o período da Igreja: Da chegada ao retorno de Jesus, isto é, nos últimos tempos. Aqui Paulo delineia para nós a causa, a essência e o antidoto para a apostasia. I.                     A CAUSA (1Tm. 4:1-2) UM FALSO EVANGELHO Mesmo na era apostólica havia um falso evangelho c...

Comentando os versículos (1): 1Pedro 5:7

Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês. (1Pedro 5:7) Esse texto nos fornece preciosas lições: (1) O conceito cristão de ‘humilhação’. O termo traduzido na NVI como “lancem”, no grego é um particípio; por isso depende de um verbo principal, que pelo contexto, é o verbo "humilhar". Isso significa que o humilhar-se debaixo da mão onipotente de Deus é lançar suas preocupações a ele. (2) O conceito cristão de entrega. A ação de lançar à qual Pedro se refere está no aoristo. Feita uma vez para sempre. Uma vez entregue a Jesus o que nos inquieta, não ousemos retomar! É uma entrega sem retorno às nossas mãos. (3) A força de nossas ‘ansiedades’ e a supremacia de Jesus sobre elas. Aqui Pedro está fazendo uma citação direta dos Salmos (55:22). Lá no Salmo, em hebraico, o entregar significa "lançar ao chão, jogar aos pés". As "preocupações" referidas são tudo aquilo que tira o sono do cristão. O ensino do Salmo, portanto, é qu...