sábado, 1 de julho de 2017

Doutrina da Reprovação

A DOUTRINA DA REPROVAÇÃO



Dentro do estudo da doutrina da salvação, descobrimos que Deus, livre e soberanamente, elege alguns indivíduos para a salvação. Quando tratamos desse assunto, então, precisamos destacar que ao eleger alguns, Deus reprova outros.

O que vem a ser a reprovação? Segundo a Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 1333, Reprovação é o nome dado à eterna decisão de Deus com relação àqueles pecadores que não foram escolhidos para a vida. Não os escolhendo para a vida, Deus determinou que eles não fossem transformados. Eles continuarão em pecado e, finalmente, serão julgados por aquilo que tiverem feito. Em alguns casos, Deus pode ir mais longe e remover as influências restritivas que protegem uma pessoa da desobediência extrema. Esse abandono, chamado de “endurecimento”, é, em si mesmo, uma penalidade do pecado (Rm 9:18; 11:25 conforme Sl 81:12; Rm 1:24,26,28).

Convém notar que ao ‘continuar em pecado’, eles agirão conforme a vontade do seu coração, que é continuamente mau (Gn. 6:5; 8:21) e extremamente corrupto (Jr. 17:10). O coração é, para usar a linguagem dos reformadores, uma fábrica de imagens e ídolos. De tal forma que nos eleitos, manifesta-se a misericórdia e a bondade de Deus e nos réprobos, a sua justiça (Rm. 11:22).

A reprovação é ensinada na Escritura não tanto com a ênfase da eleição. Algumas passagens: Isaías 8:14; Mateus 11:25,26; 21:42-44; Lucas 2:34,35; Romanos 9:13-24 2Coríntios 2:15,16; 1Pedro 2:6-8; Judas 4; Apocalipse 13:8; Provérbios. 16:4.

Wayne Grudem em sua Teologia Sistemática (p. 573-576) diz “A eleição para a salvação é vista como uma causa para regozijo e louvor a Deus, que é digno de louvor e recebe todo o crédito pela nossa salvação (veja Ef 1:3-6; 1Pe 1:1-3). Deus é visto como quem nos escolhe ativamente para salvação, o que Ele faz com amor e prazer. Mas a reprovação é vista como algo que traz tristeza a Deus, não deleite (veja Ez 33:11), e a responsabilidade pela condenação dos pecadores é sempre lançada sobre as pessoas ou anjos que se rebelam, nunca sobre o próprio Deus (veja Jo 3:18-19; 5:40)”. 

O próprio João Calvino disse com respeito à reprovação: “Decreto, certamente, horrível, confesso”. (Calvino, Institutas , 3.23.7); mas deve ser notado que sua palavra latina horribilis não significa “detestável” mas, antes, “pavoroso, que inspira terror”.

Os cânones de Dort (art. 15-18), a Confissão de Westminster (3.7) ensinam também a reprovação. Quando os cristãos falam de tal doutrina, geralmente a nomeiam como “dupla predestinação”. Lutero embora, segundo alguns, tenha enfatizado mais a predestinação que Calvino, não deu tanta atenção à doutrina da reprovação, conforme o Rev. Oswald Bayer na nota de rodapé 150 de seu livro "Teologia de Martim Lutero: Uma atualização".

O Rev. Ronald Hanko em sua Doutrina segundo a Piedade (p. 69-70) explica que a doutrina da reprovação tem, pelo menos, duas funções, que são: Demonstrar sua ira e seu poder nos réprobos e sua misericórdia nos eleitos (Romanos 9:22-23).

O Pr. Antônio Gilberto, na Teologia Sistemática Pentecostal (p. 366) traz um insight poderoso a esse respeito: "“Eleição” e “escolha” são apenas um termo, no original: ecloge. A eleição “olha” para o aspecto passado da nossa salvação (1Pe 1:2; Ef 1:4)". Embora o referido autor, por ser pentecostal, não endosse a doutrina da reprovação.

O Rev. João Ricardo Ferreira de França, ministro presbiteriano e professor no SPN (Seminário Presbiteriano do Norte), escreve em sua Introdução à Teologia Sistemática, oferecida pelo Centro de Estudos Presbiteriano (CEP) diz (p. 29ss): 

"Esta predestinação possui dois aspectos Eleição e Reprovação. Como é isso? Imagine uma moeda de duas faces (cara e coroa) a moeda seria a predestinação e as duas faces duas ações: Eleição e Reprovação.

A dupla predestinação abarca os seres morais criados por Deus a confissão de fé nos declara que existem: 

a) Anjos eleitos (2Timóteo 5:21) 
b) Anjos reprovados (Judas 6) 
c) Homens eleitos (Romanos 9:23; Efésios 1:3-5) 
d) Homens reprovados (Romanos 9:22)

Ele ainda elucida ainda mais o assunto ao escrever: "a manifestação ou a recusa de sua misericórdia tem como alvo a glória de seu soberano poder: Esta é a segunda verdade revelada na seção 7 da Confissão de Fé de Westminster: “como lhe apraz, para a glória do seu soberano poder sobre as suas criaturas” Deus tem todo o poder de realizar o que bem quiser com suas criaturas, pois, ele pode revelar sua a graça a uns e não a outros “Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.” (Mateus 11:25-26)". 

O pastor presbiteriano vai além e nos diz (p. 32): A Reprovação tem como finalidade a condenação dos pecadores: Este é aspecto mais polêmico da doutrina da reprovação. A Confissão reconhece que o segundo propósito da reprovação é manifestar a condenação dos pecadores. Assim declara a Confissão de Fé de Westminster: “foi Deus servido não contemplar e ordená-los para a desonra e ira por causa dos seus pecados.” Deus não contempla os reprovados para serem alvos de sua ação misericordiosa. 

Comentando exegeticamente o texto de Judas 4, ele diz: Vejam aqui temos a tônica da reprovação. Estes homens foram “antecipadamente pronunciados” no grego temos o verbo “προγεγραμμενοι” – progegramenoi – que tem a ideia de algo que foi estabelecido antes que permanece assim e que não poderá ser alterado; eles foram postos para serem condenados – selados antecipadamente para esta condenação!

A Escritura demonstra alguns homens que foram destinados à serem réprobos. Judas 11, cita pelo menos, três deles: Caim, Balaão e Corá. Paulo, em Romanos 9, cita outro: O faraó (controvertido de quem seja) da época do êxodo. Podemos mencionar ainda outro réprobo: Saul (1Sm. 28:16).  Outros reprovados podem ser mencionados:  Himeneu e Fileto (2Tm 2:17), Hofni e Finéias (1Sm 2:25), Elimas (At. 13:8) e Janes e Jambres (2Tm. 3:8)

Baseado na vida destes homens podemos concluir que:

• Usufruir da graça comum não é sinal de eleição de Deus

Caim, ao peregrinar para Node, recebeu de Deus uma marca para protegê-lo da morte. Isso é a graça comum. Jesus, em Mateus 5, nos ensina que o Pai faz sua chuva cair sobre maus e bons e o seu sol se levantar sobre justos e injustos, sobre eleitos e réprobos. Graça comum não é sinal de eleição. A graça comum refreia a extrema depravação humana, mas não salva.

• Usufruir bençãos temporais não é sinônimo de eleição de Deus

Esaú se casou, teve família (Gn. 36:2), foi rico (Gn. 33:8), mas não foi salvo. Diz a Escritura em Romanos 9, que Deus odiou Esaú, isto é, ele tornou-se, ou conforme o grego, foi adaptado para ser um réprobo.

• Frequentar a igreja não é sinônimo de eleição divina

Hofni e Finéias eram filhos do sumo-sacerdote Eli. Descendentes de Arão. Cresceram no tabernáculo, cresceram lidando com o culto solene. Mas o veredito divino sobre eles eram: O SENHOR OS QUERIA MATAR! Corá era líder religioso em Israel e foi reprovado por Deus. Ir à igreja é uma atividade dos eleitos, mas não garante eleição. Claro, a Escritura ordena aos eleitos cultuar (Hb. 10:25) e também ensina que muitos anticristos saíram do meio da igreja (1Jo 2:18,19).

Himeneu e Fileto eram professores na igreja e ensinavam doutrinas espúrias, ao ponto de o apóstolo censurá-los em uma carta pastoral. Aqui, claro, cabe dizer que doutrina correta é necessária. Judas 3, ensina a igreja a lutar por preservar o corpo doutrinário sadio transmitido pelos apóstolos e pelos profetas. Janes e Jambres também foram reprovados apesar de terem cargos eclesiásticos.

• Ter cargo de autoridade não é sinônimo de eleição.

Faraó tinha autoridade sobre o Egito antigo,era o senhor daquelas terras, todavia não era eleito.

Diante da doutrina da reprovação, o apóstolo Pedro, em sua carta (2Pe 1:10) encoraja aos crentes a confirmarem sua eleição. Como, no entanto, fazê-lo?

1.  Para Lutero, a raiz da eleição está no Cristo crucificado e na Palavra externa/Sacramentos

"Se alguém está demasiadamente temeroso de que não é um eleito de Deus, ou se é tentado por causa de sua eleição, deve dar graças por esse temor e ficar contente por ter medo, pois pode saber com toda certeza que Deus não pode mentir, ele que disse: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado”, isto é, o espírito desesperado. “Coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus” (Salmo 51:17). Que está atemorizado, isso ele o sabe de experiência própria. Portanto, deve lançar-se resolutamente na veracidade de Deus que faz a promessa: deve esquecer, esquecer mesmo a ameaça de Deus, e então será salvo e eleito.

Quem ainda não tem o espírito purificado não deve entregar-se a esse tipo de meditação, para que não caia no abismo do terror e do desespero. Mas deve, antes, purificar seu coração pela contemplação das feridas de Cristo.

Este é um vinho bastante forte e a mais completa refeição, a comida pesada dos perfeitos, ou seja, teologia no sentido real da palavra, da qual o apóstolo fala em 1Coríntios 2:6: “Expomos sabedoria entre os experimentados”. Eu, porém, sou criança pequena que precisa de leite. Que siga meu exemplo aquele que, juntamente comigo, é criança pequena. Certeza suficiente temos nas feridas de Cristo". (Fonte)

A dogmática cristã publicada pela editora Concórdia (p. 273) diz: Afirmou Lutero: "Não devemos, como o fazem os sectários, imaginar que Deus nos conforte imediatamente, sem sua palavra. O conforto não nos vem sem a Palavra, que o Espírito Santo efetivamente traz à memória e acende em nossos corações, ainda que não tenha sido ouvida por dez anos."

Quando acossado por tentações, Lutero repetia a si mesmo: "Sou batizado". Para Lutero, Batismo é um rito para a vida toda. Para ele, toda vida cristã é um contínuo batismo; a razão disto é que para Lutero toda a vida cristã é um batismo diário.

2. Para João Calvino, a certeza da eleição, vem por meio da convicção do amor paterno de Deus mediante a Palavra externa

Nas Institutas da Religião Cristã (3.12.2), Calvino assevera que, conforme o ensino de Cristo e seus apóstolos, somente a fé dos eleitos é real (Mt. 15:13; Tt. 1:1). Razão pela qual Paulo requeria dos cristãos uma fé não fingida (1Tm 1:5). Um dos sinais da reprovação, segundo Calvino, é a ausência do sentimento paterno de Deus, ele diz: "Assim, por certo tempo vicejou em Saul um afeto piedoso para que amasse a Deus, de quem, reconhecendo ser tratado paternalmente, era tomado de algum dulçor de sua bondade. MAS, UMA VEZ QUE NOS RÉPROBOS NÃO SE ARRAIGA PROFUNDAMENTE A CONVICÇÃO DO PATERNO AMOR DE DEUS, NÃO O AMAM PLENAMENTE COMO FILHOS; PELO CONTRÁRIO, SÃO CONDUZIDOS POR CERTA DISPOSIÇÃO MERCENÁRIA. Ora, só a Cristo foi dado esse Espírito de amor, com esta condição: que o instile em seus membros; na verdade esta afirmação de Paulo não se estende para além dos eleitos: “Porquanto o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” [Rm 5:5]; isto é, esse amor que gera aquela confiança de invocação que abordei acima [Gl 4:6]".

Aplicações 

1. Que Possamos, pela graça e ajuda de Deus, Pai, Filho, Espírito Santo, nos expormos e sermos expostos aos meios de graça (Palavra e Sacramentos) com fé, por eles não são ex opere operato. São, todavia, o meio que Deus institui para dar-nos o seu Espírito ainda que não exclusivamente.

2. Que a afirmação da Igreja possa ser, 'a todos quantos o receberam, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, a saber aos que crêem no seu Nome" (Jo. 1:12). Não sejamos ecumênicos dizendo "Todos são filhos de Deus". Não, a Igreja é a comunidade dos filhos adotivos de Deus. Somos, como Paulo diz: "Família de Deus" (Ef. 2:19).

3. Spurgeon, ministro batista reformado do séc. 19, dizia que aquele que tivesse disposição de aproximar-se do Senhor desejoso de salvação era eleito. Deus dá a fé salvífica, ele é o autor da fé (Hb. 12:2), se, portanto, temos o desejo de aproximarmos do Senhor para recebermos dEle a fé, somos levados a crer na nossa eleição (At. 13:48).

Que Deus nos ajude! Que Deus nos faça guardados em Jesus pelo seu poder (Jd. 24; 1Pe. 1:5)

  Para a glória do Seu Nome.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Quem tem medo do Espírito Santo? - Daniel Wallace

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"Embora os carismáticos às vezes dê maior prioridade à experiência do que ao relacionamento, os evangélicos racionalistas dão maior prioridade ao conhecimento do que ao relacionamento. Ambos perderam o alvo. E Paulo em 1 Coríntios, condena ambos. O conhecimento incha; e a experiência espiritual sem amor é inútil. [...] Por mais chocante que possa parecer para muitos no círculo cessacionista, a Bíblia não é membro da Trindade. [...] o efeito líquido dessa bibliolatria é a despersonalização de Deus. Eventualmente, não nos relacionamos mais com Ele. Deus se torna o objeto de nossa investigação e não o Senhor a quem estamos sujeitos. A vitalidade de nossa religião é sugada. À medida que Deus é dissecado, nossa posição muda de "Eu confio em ..." para "Eu acredito que...” [...] Deus ainda é um Deus de cura, embora eu pense que seu meio normal não é através de um curandeiro de fé. Deus cura o exercício da fé, não pelo poder dos curadores da fé. O problema com alguns carismáticos é que eles acreditam que Deus não só pode curar, mas que ele deve curar. Deus torna-se assim um instrumento, exercido pelo cristão todo-poderoso. Ao mesmo tempo, o problema com os não-carismáticos é que, embora afirmemos que Deus pode curar, agimos como se não o fizesse. Eu realmente não penso em acreditar na habilidade de Deus - nós realmente não acreditamos que Deus possa curar. Assim, o problema com os carismáticos é a negação da soberania de Deus; O problema com os não-carismáticos é a negação da habilidade ou da bondade de Deus ou ambos. [...]
O racionalismo evangélico pode levar à deserção espiritual. Estou me referindo à sufocação do Espírito no treinamento teológico de pós-graduação, bem como à sedução da academia. A maioria dos professores de seminário pode pensar em exemplos de jovens estudantes talentosos que mentores, que parecem ter perdido toda a sua convicção cristã em um ambiente acadêmico. Para muitos de nós, essa lembrança é terrivelmente dolorosa. Quantas vezes enviamos Daniels para a guarida dos leões, apenas para dizer a eles por nossas ações que a oração não fará nada de bom?
[...] Não são apenas as evidências históricas que podem levar a abraçar a ressurreição como verdadeira. O Espírito deve trabalhar em nossos corações, superando nossa reticência natural. Quando nossos graduados continuam para o trabalho de doutorado, e esquecem que o Espírito os trouxe a Cristo em primeiro lugar, e suprimem seu testemunho em seus corações, eles estão aptos para a deserção espiritual. Precisamos lembrar - especialmente aqueles de nós que vivemos em um ambiente acadêmico - que a exegese e a apologética não são a soma da vida cristã.


[...] Algum tempo atrás, um dos meus alunos morreu de câncer. Outro estava prestes a morrer. Comecei a pedir aos alunos do seminário que orem pela intervenção de Deus. O Senhor não respondeu a nossa oração da maneira que esperávamos. Brendan também morreu. Minha própria dor aumentou quando vi seus três pequenos filhos desfilarem diante dos lamentadores em seu serviço memorial. Através das mortes, tragédias e sofrimentos que parecem ser "par para o curso" de ser cristão e parecem abundar Para a família do seminário, aprendi sobre o sofrimento e a honestidade com Deus. Perguntei a Deus e ainda o fiz. Fora da minha dor - dor para esses alunos e suas famílias, dor para meu filho, dor para mim mesmo - veio honestidade e crescimento. Tenho momentos em que duvido da bondade de Deus. No entanto, não duvido que tenha sofrido por mim muito mais do que jamais sofrerei por ele. E essa é a única razão pela qual eu o deixo segurar minha mão através deste vale escuro. Ao procurar o poder de Deus, eu descobri sua pessoa. Ele não é apenas onipotente; Ele também é o Deus de todo o conforto. E, levando-nos pelo sofrimento, não é um dos principais meios que o Espírito usa hoje para nos levar a Deus. (11) Finalmente, uma pergunta: para o que o Espírito testemunha? Certamente a ressurreição de Cristo. E as escrituras? Uma interpretação particular talvez? Problemas escatológicos? Problemas exegéticos? Não seja muito rápido para responder. Parte disso precisa repensar ... Na verdade, o desafio para cada um de nós é o seguinte: reexaminar o ensino do Novo Testamento sobre o Espírito Santo. Não examine as passagens, mas lute com o que elas significam. Se o Espírito não morreu no primeiro século, então, no mundo que ele está fazendo hoje? Em conclusão, para meus amigos carismáticos, eu digo: Não devemos evitar o sofrimento como se fosse necessariamente maligno, pois não podemos abraçar Cristo em Sua ressurreição além de abraçá-lo em sua morte. Para meus amigos cessantes: Não devemos anestesiar nossa dor enterrando nossas cabeças no texto, como se uma experiência semi-gnóstica da Bíblia resolva de algum modo o enigma de nossa miséria.

"Eu estava com raiva de Deus e eu achei que Ele estava bastante distante. Aqui estava esse menino precioso que estava perdendo o cabelo e perdendo peso. Em um ponto ele pesava apenas 45kg. Seu irmão gêmeo naquela época pesava 85kg. Andy estava tão fraco que tivemos que carregá-lo em todos os lugares, até ao banheiro. Através dessa experiência, descobri que a Bíblia não era suficiente. Eu precisava de Deus de maneira pessoal - não como um objeto do meu estudo, mas como amigo, guia, confortador. Eu precisava de uma experiência existencial do Santo. Francamente, descobri que a Bíblia não era a resposta. Eu achei que as Escrituras eram úteis - até mesmo de forma útil - como um guia. Mas sem sentir Deus, a Bíblia me deu pouca consolação. No meio deste "verão do inferno", comecei a examinar o que se tornou da minha fé. Eu achei um desejo de me aproximar de Deus, mas me achei incapaz de fazê-lo através dos meus meios normais: exegese, leitura das escrituras, mais exegese. Eu acredito que eu tinha despersonalizado tanto Deus que, quando eu realmente precisava dEle, eu não sabia como me relacionar. Eu desejei por ele, mas encontrei muitas restrições de toda a comunidade no meu ambiente cessacionista. Eu procurei por Deus, mas tudo o que encontrei foi uma sufocação do Espírito na minha tradição evangélica, bem como no meu próprio coração. Eis que essa experiência do câncer do meu filho me trouxe de volta aos meus sentidos, que me trouxe de volta a minhas raízes"


Tradução: Heloniel Jazer