segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

POEMA: God Moves in a Mysterious Way (William Cowper)

Deus se move por caminhos misteriosos,
Para executar suas maravilhas;
Ele estabelece suas pegadas no Oceano
E cavalga sob a tempestade.

Profundo como insondáveis minas
Suas habilidades nunca falham
Ele valoriza seus brilhantes propósitos acima de tudo
E trabalha sua soberana vontade.
Vocês, santos temerosos, encorajem-se novamente
As nuvens que tanto temem
Certamente romperão com graça e bênçãos sobre suas cabeças.

Não julgue o Senhor por seu fraco senso
Confie nele por sua graça
Por trás de uma Providência carrancuda
Encontra-se uma face sorridente.
Seu propósito se cumprirá rapidamente,
Será revelado a qualquer momento
Os rebentos no caminho tem um gosto amargo
Mas doces serão as flores

A descrença cega certamente está enganada
E procura Sua obra em vão
Deus é seu próprio intérprete 
Ele fará isso claro
                    
SOBRE O AUTOR: William Cowper, filho de João Cowper e Ann Donne. Nascido em 15 de novembro de 1731 em Berkhamstead, Hertfordshire, Inglaterra.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Resenha: A coragem de ser imperfeito: Como aceitar a própria vulnerabilidade e ousar ser quem você é – Brené Brown

O título original do livro é “Ousadia extraordinária: Como a coragem para ser vulnerável transforma o jeito que vivemos, amamos e lideramos nossos filhos”. O que, à luz de tudo que foi escrito, faz mais sentido; pois aqui Brown dedica um capítulo todo sobre liderança e criação de filhos.
A palavra-chave do livro é “vulnerabilidade”. Ao longo do livro, Brown oferece várias definições de vulnerabilidade: 1) É deixar ser visto, é ousar aparecer (p.10); 2) É incerteza, risco e exposição emocional (p. 28). Brown diz que ser vulnerável assemelha-se a estar nu (p. 31). Para Brown, estar vivo é, em si, um ato de vulnerabilidade daí ser um fato de coragem ou ousadia (p. 34).
Vulnerabilidade requer reciprocidade (p. 36). Nas palavras de Brown, ‘ninguém é capaz de abraçar a transparência e a vulnerabilidade sem reservas, hesitação ou medo’ (p. 88). Brown dedica um capítulo todo aos escudos que usamos para camuflar a vulnerabilidade. São sete (p.89-126):

1. A alegria como mau presságio
2. Perfeccionismo
3. Entopercimento
4. Viking (vítima)
5. Super-exposição
 5.1 Holofote
 5.2 Invadir e roubar
6. Ziguezaguear
7. Desconfiança, crítica, frieza e crueldade

Brown ao longo do livro trabalha também e muito excelentemente o conceito de ‘cultura’. Esse conceito, apropriando-se da definição de Terrence Deal e Allan Kennedy significa: “A maneira como fazemos as coisas por aqui” (p. 128). Pois vulnerabilidade é o andar na contramão da cultura da escassez, que para Brown, é a maior influência cultural da nossa época (p.22) e que se resume a não ter o suficiente e nem ser o suficiente (p.23). Ao contrario da cultura da escassez, a autovalorização não tem pré-requisitos (p.163-164).
Para desenvolver corretamente a vulnerabilidade é preciso praticar a resiliência, isto é, a boa virtude de se recuperar rapidamente de um revés ou de adaptarmos à mudança (p. 57). Evitar profusamente a comparação que, mesmo nostálgica, é perigosa (p. 23). É armar-se do pensamento que ao assumirmos nossa história escreveremos o seu final (p.62; 170). O ser humano é a melhor arte que existe, e arte é tudo aquilo que é perfeitamente perfeito (p.102).
Por fim, vulnerabilidade e aceitação não tem caminho pronto. Como Mark Manson salienta em “A arte sutil de ligar o foda-se”(p. 123), aqui também Brown concorda e cita o poeta espanhol Antonio Machado: “Caminhante não há caminho, se faz o caminho ao andar” (p. 187). Reconhecer-se suficiente enquanto pessoa e viver a vulnerabilidade de ser humano é um pequeno passo dado a cada vez. Somos pequenos blocos construídos ao longo do tempo. Fragmentos de rocha lapidados pelo tempo, espaço e relacionamentos. Afinal, como Brown insiste, existimos para criar vínculos uns com os outros...