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Teologia em crise

Começo resguardando que não estou falando da Teologia da Crise  de Karl Barth, Emil Brunner e Reinhold Niebuhr, que também é conhecida como Neo-Ortodoxia que tem, sim, seus pontos positivos. Inicio o meu texto apropriando-me de um ponto da Teologia Existencialista de Kiekergaard que reaparece na Teologia da Crise de Barth que é justamente o fato de que "Deus confronta a pessoa em crise, à parte do esforço e da razão humanos"  (CAIRNS, 2008, p. 487). Em suma, Deus se revela no momento do "pega para capar". Eu me lembro de pelo menos dois exemplos de revelações divinas assim. O primeiro é o caso de Aurélio Agostinho, bispo em Hipona, que teve uma vida turbulenta na busca pela Verdade. Ele foi educado como cristão, mas tornou-se maniqueísta; depois, descontente com o maniqueísmo, tornou-se amante da astrologia; depois, desiludido com a astrologia avança mais um passo e agora é cético; um passo antes de sua conversão, ele se torna  neo-platônico. Ele é, com razão, um f...

Comentando versículo (3): Salmo 57:2

A parte final desse versículo é curtíssima no Hebraico. São só três palavras. Há um espaço em branco onde os tradutores inseriram a palavra "tudo". Calvino e Spurgeon são de opinião que o Salmo quer dizer que Deus cumpre tudo o que se propõe a realizar, pois fraseologia semelhante ocorre no Salmo 138:8.  Isso é reforçado pelo fato de que o que Deus executa está em branco no texto massorético. É como que uma licença poética para o crente descansar. Deus levará até o final, na Glória, isso e aquilo outro.  Esse verso, portanto, dá-nos a certeza de que "aquele que começou a boa obra em nossa vida a completará até o Dia de Jesus Cristo" (Filipenses 1:6). Deus preservará seu povo em meio a período de calamidades (v. 1) e esconderá seu povo "à sombra de suas asas" (v. 1) dando-lhe proteção e refúgio. Ele é o Deus Altíssimo (v. 2), título usado no Antigo Testamento, para indicar que ele é todo poderoso e bondoso para o Seu Povo. Esse salmo é, portanto, a certeza...

Devocional: Salmo 55:1-23

O salmista está profundamente perturbado emocionalmente (v. 2,3), fisicamente perturbado (v. 4,5). Ele está inquieto desejando encontrar alívio em algum lugar (vs. 6-8). Toda essa inquietação emocional e física se dá pela pela traição de um amigo íntimo (vs. 12-14,20). Ele se sente emocionalmente sozinho. Ele está rodeado de baderneiros (vs. 10-11), ímpios (v.15,19). Ele está constantemente entregue ao choro (v.17) por causa dos seus muitos inimigos (v.18). Diante de tal abatimento ele não deixa de orar e buscar Deus (v. 1-2a, 16). Ele sabe que Deus reina soberano desde sempre (v.19). Ele sabe que será ouvido (v. 19b). Ele sabe que o SENHOR o sustenta nesses tempos difíceis e é o seu refúgio (v. 22). Ele confia na graça de Deus (v. 23b). Talvez você e eu estamos emocional e fisicamente desgastados como o salmista. Talvez pela traição de alguém próximo. Talvez pela calamidade pública que assola nossa cidade. Talvez até se sentindo sozinho. Talvez até chorando bastante. É natural as coi...

Vou me Lembrar: Meditações no Salmo 77:1-20

“Recordarei os feitos do SENHOR; recordarei os teus antigos milagres. Meditarei em todas as suas obras e considerarei todos os teus feitos”. Salmo 77:11-12 NVI Esse salmo é um convite à que nós, povo de Deus, sejamos lembrados dos milagres que Deus já fez e está fazendo em nossas vidas. Joel Beeke diz que “a providência de Deus é como ler hebraico; é melhor entendida se vista de trás pra frente”. Se olharmos para trás, veremos melhor o que Deus fará adiante. Já foi dito que “o historiador é o profeta que olha para trás”. Esse salmo convida-nos, portanto, a olhar pra trás para então enxergarmos o que Deus fará adiante. Olhar para o que Deus fez, tem feito, e fará apesar de nós. I)                    Somos chamados a recordar os antigos milagres de Deus mesmo em péssimas situações; - vs. 1-5 O salmista estava angustiado e inconsolável (v. 2), desfalecendo (v. 3), inquieto (v. 4). E em ...

Sra. White!

Já dizia o poeta: “É fácil ser poeta, e tão difícil ser homem” [Bukowski]. Porque um poeta fala de alguém que lhe inspira. E o que é o ato de inspirar? É puxar o ar do Universo para dentro dos pulmões. É essa relação estranha que nos mantém vivos. Uma inspiração é, portanto, o que mantém um poeta vivo. A inspiração varia de poeta para poeta. Esse trecho é uma poesia? Diga-me você que lhe inspirou ou conferiu vida. Antes que desacredite da ‘inspiracionalidade’ que você emana, quero fazer-lhe lembrada que você é a prova viva da frase do poeta [Bukowski]: “Consigo imaginar grandeza nos outros mesmo quando não há”. Você, doce mulher, Doce Alma, consegue ver grandeza em quem não há. Você, doce mulher, confere à quem está por perto o que falta para a humanidade. A humanidade está atrás de esperança. Seus olhos e seu sorrir emanam esperança. Você, doce mulher, é quem posso dizer citando o poeta: “Baby, eu sou um gênio, mas ninguém além de mim sabe disso”. E como ele diz: “Todo homem...

Comentando Romanos 8:31 (Devocional)

*Devocional Romanos 8:31* *"Que podemos dizer diante dessas coisas tão maravilhosas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?"* Esse texto de romanos nos dá esperança viva, nesses dias turbulentos que temos vivido. Além de dizer: mesmo com toda dor e turbulência, Eu, Deus, ainda estou trabalhando (diante de coisas maravilhosas); Porque, apesar de tudo, se olharmos com atenção, temos muito à agradecer. Esse texto também nos trás segurança, pois "quem?", ou seja: com Deus, ninguém, que se levantar diante e contra nós, vai permanecer de pé. Não há nada que possa nos separar do amor de Deus.               *Oração* Pai, soberano Deus, graças por todo este amor que tens por nós e por sermos chamados teus filhos. Por nos assegurar que nada irá nos separar deste amor. Graças Pai, pelo conhecimento desta palavra; ela nos conforta. Te peço hoje, que, nossa crença e fé nela (tua palavra), seja maior a cada segundo, para que possamos, Não somente crer, mas ...

Vai bater ou correr, camarada?!

Em 2018 foi feito um estudo chamado mudança de conceito induzida por prevalência. O experimento consistia em conduzir voluntários a uma sala onde estava apenas um computador com duas teclas: Azul e não azul. As cobaias tinham que ver mil pontos na tela e indicar quais eram azuis e quais não. O experimento começou com um número grande de pontos azuis e foi diminuindo gradativamente. Os cobaias começaram a imaginar pontos azuis onde não existia. O mesmo experimento agora passa a mostrar rostos amedrontadores e amigáveis. De forma semelhante, foi diminuindo gradativamente os rostos amedrontadores e as cobaias começaram a enxergar rostos amedrontadores onde eram apenas rostos amigáveis. Os pesquisadores, por fim, começaram a testar as cobaias com dois tipos de entrevista de emprego: Éticas e antiéticas. Gradativamente começaram a reduzir as antiéticas e as cobaias começaram a enxergar propostas indecentes onde não havia. O experimento era só uma forma de mensurar como os seres humanos mo...